As gravadoras e o medo da Internet
A indústria fonográfica faturou por anos e anos em cima da chamada lei de direitos autorais. Ela que surgiu como uma proteção a propriedade intelectual, ou seja, ao autor de uma obra e foi, ao longo dos anos, se transformando em uma fonte de renda o que, muitas vezes, fez dos criadores vítimas de gravadoras, editoras, emissoras de televisão e etc.
Isso porque o artista até então dono de sua obra, viu se abrigado a vendê-la a tais indústrias para conseguir obter algum sucesso, ou até mesmo lucros sobre o que produziu. Ninguém aqui é ingênuo de achar que um músico toca na rádio por sua qualidade ou é? Se assim fosse, Chico Buarque duraria nas paradas até hoje. Na verdade foi assim que vimos artistas sendo moldados como um produto na prateleira de um supermercado.
A lógica de mercado é a seguinte: a gravadora compra os direitos autorais sobre uma obra(não conhecida, até então) e paga barato por ela. Aí ela pega tal obra, paga um “jabá” e faz com que isso “estoure” nas paradas lucrando tudo o que tiver direito em cima do produto previamente comprado. Nenhuma novidade, nada que fuja dos padrões capitalistas. Só que não estamos falando de um produto qualquer: é arte, envolve valores acima dos financeiros: culturais e sociais.
A Internet está quebrando este cenário ao possibilitar a divulgação de artistas, pricipalmente, na música sem que as gravadoras façam a intermediação, mas não é somente isso. Sabemos que a rede foi criada sob o vértice do COMPARTILHAMENTO e isso não seria diferente na música. As pessoas trocam músicas, fazem downloads, assistem videoclipes, e procuram os artistas que lhes interessam, não somente, aqueles enlatados que tocam em rádios.
Daí que surge essas anomalias de uma MTV processando a google por uso de suas imagens no Youtube, de uma Sony proibindo os vídeos da Beyoncé. Tudo isso é uma tentativa frustrada de manter o mercado antigo, o vigente, onde artistas e público eram reféns de quem sempre tratou a arte como mercadoria.
Esses dias a Lady Gaga bateu a marca de 1 bilhão de acessos na web, será que isso ocorreria sem o Youtube? Acho que não.
Jéssica
Jessica Ferreira Rodrigues
Colunista do Informação Virtual na categoria música, Jessica é aluna de Ciências Sociais, pesquisando as diversas formas de socialização e representação no ciberespaço. Atualmente escreve também para o blog "ABRE ASPAS".
Jessica Ferreira Rodrigues já escreveu 8 posts.
2 Responses to As gravadoras e o medo da Internet
Deixe um Comentário Cancelar resposta
Publicidade
Tags
blog Blog da Semana Blog do Mês Blogosfera Brasil campanha carreira celular Ciência Comportamento conhecimento criatividade cultura curiosidade Curiosidades Design Dicas e Tutoriais Dicas e Tutoriais dinheiro ecologia educação emprego empresa enquete evento Google humor Informática Internet livro Marketing meio ambiente música Negócios Profissional profissão promoção prêmio Software Tecnologia votação vídeo web Web 2.0 wordpressArquivos
Principais Categorias
Facebook
Publicidade












Isto tudo é uma grande palhaçada da indústria, como você mesmo disse sem o youtube e os fã como Lady Gaga seria o sucesso que hoje em dia?
.-= Douglas Costa´s last blog ..Madonna está descontente com a filha Lourdes Maria! =-.
Olá querido! Devo dizer que é sempre um prazer visitar o seu espaço, cheio de boas informações. O Informação está cada dia mais bonito!
Realmente, o Youtube deu uma quebrada no monopólio. Hoje em dia pessoas comuns saem do anonimato ao estrelato somente postando um vídeo no site referido. E isso tudo sem ajuda de nenhuma indústria fonográfica, somente quem mais interessa é responsável por isso, os consumidores. Não sei qual será o futuro da música como comércio, mas como criação artistica, a facilidade de divulgação através da internet é sem dúvida muito bem vinda.
Aproveito para deixar meus votos de uma excelente Páscoa a você e sua família e também a Jéssica, que redigiu brilhantemente este texto.
Beijos!!
.-= Jaqueline Amorim´s last blog ..Template Rose Life =-.