Pernas e Bocas: merecemos mais civilização ao antinatural
O caso ficou conhecido como o da “garota da minissaia”. Também poderíamos dizer “a intolerância na Universidade”. Na mídia, podemos dar qualquer manchete, cada um de um jeito e para o gosto de todos. O fato é tão enigmático que não é compreendido por nossa lógica. A garota em fotos, vídeos e entrevistas; a garota mais exposta que suas pernas. A garota desesperada, os alunos histéricos. Tudo é tão cotidiano, que às vezes ignoramos os pequenos detalhes. Esse tipo de violência não é uma coisa nova, quem sabe mudou apenas o objeto. Numa sociedade que destrói a intimidade, nada mais normal que a audiência pública. Foi isso que todos viram.
Não se sabe muito sobre o caso, e os motivos aparentes também são ignorados: a versão que eu vi foi de uma garota sendo perseguida por centenas de estudantes, dentro de uma Universidade, pois ela estava usando uma roupa muito curta. Bom, se esse é o único motivo, podemos nos preparar, pois teremos uma guerra civil em breve: Nunca tivemos tantos peitos, bundas e pernas torneadas zanzando de lá para cá como agora. Nunca tivemos tantas questões sobre sensualidade e sexo jogadas na boca do povo como anedotas, cheias de preconceitos e visões distorcidas. “Nunca na história desse país”, tantas músicas que se dizem sensuais, mas são apenas despudoradas. Com essas atitudes vamos transformando os seres, e nem sempre para a evolução. Seria hora de pensarmos que andar nu é uma questão de tempo?
Como eu disse, são muitas questões que devem ser respondidas por psicólogos, sociólogos, pedagogos; e a sociedade de um modo geral. A sentença dada pelos alunos da Universidade seria a mesma que nós daríamos em um outro ambiente? Quem ganhou com tudo isso? Quem perdeu? A histeria coletiva pode acontecer em outros lugares, como, por exemplo, quando o trem carregado de trabalhadores empaca no meio do caminho prejudicando milhares de pessoas? A garota seria o bode dos milhares de anos de nossa culpa, ou ela seria nossa desculpa esfarrapada para mais um dia sem aula? Quem ela traiu na sociedade para ser apedrejada, humilhada e cobiçada? Sim, ela foi cobiçada. Cobiçada como um pedaço vulgar de carne, como um objeto de desejo; e para outros como uma fisgada da inveja. Será que temos tantos outros motivos para justificar o ato consagrado irracional num ambiente racional?
Não teremos respostas. O olhar de desejo de alguém se transformando numa apetência desenfreada. O efeito borboleta do caos. O vento aqui mudando o rumo da conversa no Japão: as coisas funcionam assim. E se alguém pensa que o que aconteceu com a garota é um fato isolado, de mais uma pessoa querendo aparecer na mídia; comecem a ficar preocupados. Nada nesse mundo é isolado, nada fica impune: o pecado vai aparecer, mas ai daquele que praticar. Os pecados da “garota da minissaia” não são os pecados dela, são os pecados de todos. O pecado dos inquisidores que decidiram as regras somos todos nós. O pecado dos agressores, nós que jogamos a pedra e batemos o martelo, decidimos que a intolerância ainda é possível.
Talvez algum dia fique claro que bárbaros somos nós, que tentamos decifrar como a vida funciona hoje. No futuro, iremos decidir que as coisas vão ser desse jeito mesmo: o julgamento e a condenação. A antítese do olho por olho, pois o castigo se baseará em regras incomuns e mutáveis. Lá na frente, nesse ritmo, poderemos não aplaudir o comportamento de determinados grupos, como foi o caso da Universidade; mas teremos que nos acostumar com eles. O pudor será assunto tão desinteressante como religião, economia e filosofia. Voltaremos para onde não devíamos ter saído.
E o bando inibirá quem é contra, como se fosse possível decidir quem é certo.
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Postado por Sérgio Oliveira na categoria Atualidade, Comportamento, Na minha opinião em 5 de novembro de 2009 | Os textos deste blog são de inteira responsabilidade de seus autores.
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No final das contas a menina estava vestida como qualquer uma outra; a diferença é que não estava dançando nenhum tipo de baboseira popular. Aliás, por mais incrível que possa parecer, é provável que sua presença na faculdade era para estudar. Ao contrário da horda puritana, claro, que tinha mais o que fazer: tomar conta do que não lhes diz respeito.
Quer queiram ou não na verdade, ela esta na mídia e certamente será capa da Play Boy, não tenho nenhuma dúvida, ou candidata a deputada Estadual nas proximas eleições. Até parecia uma felina no cio com aqueles bando de animais tentando copular. Se a moda pega não terá polícia suficiente para para proteger, nossas beldades.
Será uma uma bela capa da Playboy, principalmente pelo par de pernas. Mas tivemos mulheres mais bonitas em outras edições, com certeza….rs
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