POLICITAVOZ: O feminino e o masculino da política

Dilma completa sete meses no poder. Daqui a pouco o parto. Nascerá, então, o filho pródigo. Não sabemos como será: cesariana ou parto natural; só sabemos que está sendo mais ou menos complicado, como qualquer gravidez. Dilma que foi eleita mãe do crescimento, tem a difícil tarefa de agora como matriarca, ser a dona de casa e dar aos brasileiros a tão sonhada tranqüilidade. E alguns fatores, aqui dentro e lá fora, andam tirando o seu sono.

Aqui dentro esse monte de confusão com seus comandados. Certa ou não, fez faxina onde devia. Anteriormente, com o governo Lula, nós teríamos uma condução mais lenta, com uma política de conciliação. Alguns diziam que a medida certa de Lula, em negociar com adversários em situações complicadas, era a mesma quando ele negociava com parceiros ideológicos: a conversa era o melhor caminho. É por essa maneira de ver a política, talvez adquirida em sua passagem como sindicalista; que o transformou num grande diferencial político.

A mesma poção da tranqüilidade não surgiu por encanto em Dilma. Se todos já creditavam a ela a “durona” do pedaço, não há agora menor dúvida em relação a tal característica. Não sei se agiu no tempo certo, ou se foi tão errado assim as mudanças nos ministérios; a única coisa que eu sei é que foi um procedimento muito diferente do seu antecessor. A condução da crise foi pragmática e direta, mas com requinte da emoção. Ela que parecia mais lógica do que Lula, talvez tenha usado mais uma ação sentimental no momento de crise.

Um dos comparativos é sobre a demissão do Ministro da Defesa Nelson Jobim. Fico imaginando a mesma situação no Governo Lula. Se o problema aconteceu por causa de uma entrevista, onde o ministro critica companheiros do governo; então Lula apareceria rodeado pela imprensa dizendo que o ministro disse, mas não queria ter dito. Faria um comparativo qualquer usando o modelo da família brasileira, dizendo que, às vezes, falamos mal do irmão para ajudá-lo, e coisa e tal. Tudo ficaria resolvido com um papo rápido, e como dizem “no popular”. Lula chamaria todos envolvidos e lavaria a roupa suja na margem do rio. A psicologia econômica da marolinha funcionaria também na psicologia política.

E talvez seja essa a grande diferença de Lula e Dilma. Tecnicamente Dilma ainda não mostrou nada de irregular em suas decisões, ela fez o que Lula também faria. Mas politicamente, ambos têm maneiras diferentes de encarar um problema. Enquanto um quer a conciliação, mesmo nos extremos inaceitáveis; como foi o caso do mensalão; o outro prefere resolver as coisas antes que tomem um volume insustentável. Um a morosidade, outro a praticidade. Não dá para saber quem é certo, volto a dizer.

E pelo que estamos vendo, mudanças em Ministérios não vão parar por aqui.

Outro problema grave enfrentado pela presidenta (desculpem, prefiro assim); será a crise internacional. A marolinha tirada de letra pelo governo Lula é um terremoto muito mais sério rondando o atual governo. Dilma e a equipe econômica fizeram certo por linhas tortas com o programa lançado para incentivar o comércio interno. A medida é boa, mas a forma como foi feita ninguém ainda entendeu direito. Li quatro economistas e eles disseram exatamente isso: a lei pode ser boa, mas alguém precisa saber explicá-la.

A crise pode chegar hoje, como pode nem passar perto. Seria interessante que a pontualidade política do governo atual também fosse usado na economia. Decisões profiláticas são melhores do que decisões cirúrgicas. Lula não precisou de grandes manobras econômicas, mas precisou de grande estratégia política. Dilma tem uma estratégia diferente na questão política, e muitos querem saber como são as econômica.

O mundo precisa acertar, para que poucos saiam perdendo.

POLITICAVOZ: E eles estão mal, nós também.

Os americanos são muito estatísticos, disse Caetano Veloso em uma música. Não sei até onde ele queria chegar com essa informação, só sei de uma coisa: ele está certo. Mas toda lógica dos americanos não foi suficiente para tirá-los de uma crise. Pasmem, os americanos vivem numa crise! E são muitas especulações sobre quando isso começou e quando, supostamente acabará, (se acabar).

Nesse momento os grandes poderes do país estão se debatendo para saber quem vai pagar a conta. Num resumo clássico, muito conhecido por brasileiros em tantas décadas, se o país se ajusta em gastos menores ou se o povo paga o prejuízo. Corte de gastos do governo ou aumento dos impostos. As duas medidas são drásticas para economia, por isso uma discussão tão séria e tão prolongada.

Ninguém chega a uma conclusão. E pior do que isso, mesmo aqueles que defendem o corte dos gastos públicos, admitem que o solução é apenas previsível. E na economia, previsões não são meros palpites, são suposições lógicas, estatísticas e científicas; ou seja, mesmo com tantas correções continuam sendo cálculos com uma fidelidade invariável em relação ao resultado. A mesma coisa acontece do outro lado, o pessoal dos impostos. E é por isso que é difícil chegar a um consenso, pois ele parece não existir.

Outros especialistas afirmam que tentativas mostradas pelo governo americano tem como prioridade trazer o país para o mesmo patamar em que ele se encontrava antes da crise. O que significa fazer com que ele vire um país pré-crise novamente. Ou seja, nenhuma proposta salvaria o país, apenas remediaria uma nova crise nos próximos anos.

Os americanos muito estatísticos estão ignorando as estatísticas.

No meio dessa crise não são apenas os americanos que devem se preocupar. Como diz outro trecho da música de Caetano (e ele usou uma ironia incrível na frase), “os americanos representam boa parte da alegria existente neste mundo”. De certa forma, os americanos detêm um percentual fantástico de negociações comerciais, comprando, vendendo e barganhando o mundo dos negócios. A saída de um competidor grandioso, no mundo do livre negócio, pode trazer grandes prejuízos para a população americana como também para os parceiros comerciais em todo mundo.

A torcida de alguns é para que os americanos nunca saiam da crise. A mentalidade pode até ter um respaldo na questão imperialista, mas não pode ser uma justificativa para o equilíbrio da economia mundial. A ausência dos Estados Unidos à frente das mudanças econômicas, ou na ordenação geopolítica; não é a chave para uma alteração dos problemas mundiais. A fome, as guerras e alguns problemas do mundo capitalista não nasceram com o fortalecimento desse país no mundo, mas já são preexistentes há muitos séculos.

Portanto, para que grandes problemas não surjam daqui para frente, seria interessante que os americanos saíssem o mais rápido possível da crise, retomando a situação de grande crescimento da economia mundial; inclusive com grande fartura para os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Como isso não parece ser tão fácil para eles, é bem possível que a situação fique complicada também para o resto do mundo: governo, população e outros países pagando cada qual pela culpa de uma crise que não foram todos que inventaram.

“Americanos não são americanos são velhos homens humanos chegando, passando, atravessando. São tipicamente americanos. Americanos sentem que algo se perdeu, algo se quebrou; está se quebrando.”